Se o coração não tem GPS, deixa ele se
perder! Ele precisa disso e, de vez em quando, você também! Nas idas e vindas
da nossa vida, às vezes a nossa intuição, os nossos desejos e até mesmo a razão
nos coloca em caminhos estranhos e acabamos por nos perder... mas quem disse
que isso é um problema? Não tire os méritos do seu coração quando ele te levar a
lugares estranhos, pode ser uma experiência incrível [desde que você permita
que seja]. Já pensou no tanto de flores que apareceram e continuam aparecendo no
seu caminho e você não consegue vê-las/senti-las/observá-las/cheirá-las porque
está muito preocupado com a chegada? Se você está cansado, pare! Se você acha
que se perdeu, pare! Mas só um pouco, só pra curtir o momento e observar o quanto
você já caminhou! Veja o quão incrível são as flores que estavam o tempo todo
ao seu redor! Em alguns momentos elas eram todas brancas e, minha nossa, quanta
paz! De repente, a paz sumiu por alguns instantes... que alvoroço de
sentimentos! As rosas vermelhas estavam por toda parte! Que pena que elas
murcharam tão rápido e por um tempo você não quis mais saber das flores. Mas
você lembra que logo depois veio uma chuva intensa e a primavera chegou? As
flores estavam por todo lado! Você nunca tinha visto tantas formas, cores e
perfumes! A variedade era tanta que você se confundiu e se perdeu. E de novo. E
de novo. Mas não se preocupe, ainda há luz em você, pode ser incrível se perder
e as flores estão no caminho! Siga!
Café com leite e jornal
Jornalismo literário feito por uma aprendiz de jornalista paraibana.
quarta-feira, 25 de julho de 2018
sábado, 30 de julho de 2016
O centro
Diariamente,
milhares de pessoas caminham pelas ruas do centro de João Pessoa, algumas
apenas de passagem, enquanto outras escolheram ali fazer morada. Aliás, essa
questão é meio incerta, é difícil saber se elas escolheram o centro ou se o
centro as escolheu.
O
Centro é o tipo de bairro que reúne comércio, área verde, praças, shoppings e
inúmeras histórias para contar. A propósito, se deseja conhecer algumas dessas
histórias, basta caminhar um pouco e sentar-se em um dos bancos do Ponto de Cem
Réis, bancos que, por sinal, acolhem durante a noite aqueles que o destino não
acolheu, se desejar, lhes deseje um bom dia e fique por ali mesmo a conversar.
Ainda
caminhando pelo Ponto de Cem Réis, posso olhar ao meu redor e ver vestígios de
uma crise, não sei se financeira ou emocional, o silêncio das lojas fechadas se
mistura ao barulho das grandes cidades, e acaba passando despercebido.
Um
pouco mais perto do novo Parque da Lagoa, vejo jovens ainda com jeito de
aprendiz, esforçando-se em seu primeiro emprego, um pouco receosos de que o
silêncio que atingiu outros empreendimentos chegue ao seu local de
trabalho.
Alguns
senhores e senhoras gostam de passar suas tardes no centro, relembrando os
tempos que se passaram, alimentando os pombos, conversando com amigos ou
simplesmente observando o tempo passar. Nos fins de tarde, eles visitam as
antigas igrejas para fazer suas preces, espero que em suas or[ações] lembrem
daqueles que estavam em seu caminho, dos que estavam dormindo nos bancos do
Ponto de Cem Réis, dos que lhe pediram um pedaço de pão e, principalmente,
daqueles que tanto precisam de atenção.
O
Centro é isso, é correria, riqueza, pobreza, histórias, gente, sonhos... Para
alguns passagem, para outros morada, para a cidade é coração.
domingo, 15 de maio de 2016
A praça
Lembro-me
de quando essa praça nem era praça, era penas barro, mato, uns bancos de
cimentos, dois pés de castanhola e algumas flores de defunto que floresciam
após as chuvas.
De
vez em quando minha mãe me levava para brincar, mas era quase sempre sem graça,
eu ainda era muito pequena e ela não me deixava sentir o chão, sentia bastante
inveja das crianças que podiam correr na lama sem se preocupar se viriam a
adoecer ou ficar de castigo. Porém, no ano de 2002, o jogo virou, virou
literalmente, estava acontecendo a copa do mundo, grande evento para os
brasileiros apaixonados por futebol (claro que o 7x1 da copa passada abalou um
pouco essa paixão), pois bem, minha família se reuniu na minha casa para
assistir aos jogos, e a minha casa fica onde? Em frente à praça! Agora imagina
só, os primos reunidos, aquela chuvinha boa caindo, tempo de copa do mundo...
Corremos para a praça que estava um lamaçal só!
Se
eu fechar os olhos e me concentrar, ainda posso sentir o barro por entre meus
dedos dos pés, e olha que já se passaram 14 anos. Foi naquele dia de junho, que
finalmente conheci verdadeiramente a praça e tudo que ela podia me oferecer:
lama, guerra de castanholas e muitas risadas.
Ainda
naquele ano, aprendi algo que marcaria a minha vida, não começou na praça, mas
ela seria meu auxilio nessa aprendizagem. Pela primeira vez, meu pai e meu avô
arrancaram as rodinhas, e eu, a menina magrinha, consegui andar de bicicleta
[até parece que foi rápido assim]. Detalhes a parte, como é bom andar de
bicicleta na praça!
Peguei
a bicicleta velha, isso mesmo, velha. Pegaram a bike velha do meu irmão,
pintaram de rosa, e pronto, deixaram uma criança feliz. Mas enfim, peguei minha bicicletinha rosa segurando-a
de um lado e minha mãe do outro, atravessamos a rua e notamos que algo incrível
estava acontecendo, a praça estava sendo reformada.
Quanto
tempo ficaríamos sem viver as aventuras da praça? Como ela ficaria? Ainda
existiria um campo?
Tantas
perguntas perturbavam meu coração de menina.
Afinal,
quem nunca sonhou em namorar na praça?
[Muitas
pessoas, eu sei.]
Todos
os dias, sentávamos na calçada para observar como ia a reforma. Tijolo vai,
tijolo vem, concreto, areia, semente... Meu Deus, como o nosso Central Park
ficaria?
O
dia chegou, a praça havia ganhado nova forma, era cheia de altos e baixos,
tinha um campo de areia maravilhoso, não era barro, era areia mesmo, sabe a da
praia?
E
pra quem gosta de andar de bicicleta, a coisa tava bem séria, tinha uma
passarela que passava no meio e ao redor da praça, algo tipo acima do nível do
mar, muito louco, não via a hora de ver todo mundo ali andando de bicicleta.
Pras
senhoras conversadeiras, tinha algo muito mais legal que bancos, dava pra
sentar nessas passarelas e ficar com as pernas penduradas, tocando na terra.
Muito legal!
A
praça ficou assim por uns 6 anos ou mais, foi lá que ouvi minha primeira
cantada, fiquei em choque, um rapaz disse algo sobre a minha bunda, e eu só
tinha 11 anos, fiquei com muita vergonha e fui pra casa, minha fase de ciclista
acabou ali, vendi a bike vermelha.
Com
o tempo, a praça passou por mais uma reforma. O campo de areia virou quadra e
os espaços entre as passarelas foram aterrados, ficou tudo no mesmo nível. Uns
banquinhos de concreto, gangorras e escorregos foram colocados, ficou uma
boniteza só!
A
nova pracinha vivia lotada, nunca ouvi tantos agradecimentos ao prefeito, “obra
maravilhosa, o bairro estava precisando”, diziam os moradores.
Nessa
época da inauguração, eu não estudava perto de casa, então tinha poucos amigos
no bairro, ou seja, quem seria minha companhia naquela praça?
Eu
não via a hora de sentar naqueles bancos, mesmo que fosse pra observar o
movimento, conhecer gente nova, eu queria mesmo era viver novamente aquela
emoção de 2002, conhecer verdadeiramente a praça, pela segunda, terceira...
Várias vezes.
Finalmente
fiz algumas amizades no bairro, aí a coisa ficou interessante, sempre que dava,
íamos à praça. Um senhor magrinho lá da estrada de Gramame, vendia uns pastéis
por apenas 25 centavos, era nossa alegria, às vezes, dava pra juntar as moedas
do troco e rachar uma lata de refrigerante.
As
horas passam rápido demais quando se está na praça. Sentávamos ao redor das mesas
próprias para jogar xadrez e ficávamos horas conversando, os assuntos eram os
mais diversos, mas quase sempre coisa besta de adolescente.
Alguns
anos depois, passei a estudar no turno da tarde, e aos poucos, fui perdendo o
contato com a praça. As conversas nos bancos eram bem mais curtas e algumas
vezes nem aconteciam, de vez em quando, umas amigas chegavam lá em casa no fim
de semana e nós íamos jogar bola na praça.
Aos
poucos, a praça foi perdendo seu brilho, roubaram os balanços, e os equipamentos
de ginástica prometidos, nunca chegaram. Já faz um tempo que nenhuma reforma
acontece, as traves da quadra quebraram há uns 5 anos, e as partidas de futsal
agora são improvisadas, ainda acontecem, mas com menos freqüência, quem nunca
fez travinha com os chinelos só pra não perder a chance de jogar com os amigos.
Antes,
era possível fazer amigos na praça, mas hoje não é tão fácil assim, agora, as
pessoas não confiam umas nas outras, se cruzam rapidamente e dificilmente
sorriem, parece estarem sempre assustadas. Também, com tantos assaltos e até
mortes que acontecem na praça.
A
praça já teve grama, onde era possível deitar e rolar. Hoje, no meio tem barro
onde vez ou outra um morador estaciona seu carro (sim, ele estaciona no meio da
praça), e nos outros lugares tem mato, que uma vez ao ano a empresa responsável
aparece pra limpar.
O
dominó e o xadrez estão cada vez mais difícil de se jogar, as regras desses
jogos não mudaram, mas com mesa virada e quebrada, quem vai conseguir jogar?
As
velhinhas mal conseguem caminhar ali, é muito mato e buraco, isso é um desafio
e tanto pra quem já caminha há mais de 60 anos.
Pelo
menos os bancos restaram, ainda dá pra conversar, de vez em quando mainha chama
uma vizinha pra sentar lá e bater um papo no fim da tarde, o problema é que o
povo tem medo dos malandros que de repente aparecem pra assaltar.
As
crianças mais novas da rua nunca nem viram o escorrego e o balanço funcionando,
mas só de ter um lugar para correr livremente, a alegria ganha forma no
rostinho de cada uma.
Hoje
em dia pra mim, infelizmente a praça vem se tornando apenas um ponto de
referência para encontrar a minha casa ou a da dona Zefinha. O tempo passou e
eu fiquei sem tempo para passar lá, ouvir e imaginar as histórias das pessoas
que ali passam, jogar dominó, e quem sabe até voltar a andar de bicicleta.
João Pessoa, abril de 2016.
Quinta-feira santa
Naquela
quinta de março, acordei cedo como em todas as outras quintas do ano. Porém,
estava bastante ansiosa, o que deve ter feito com que eu acordasse algumas
vezes durante aquela madrugada.
Naquela
manhã de março, eu iria encontrar com um importante jornalista paraibano, o que
pra mim é sensacional, já que sou estudante de jornalismo, e estou em uma fase
do curso em que conheço o trabalho de outras pessoas de várias áreas da
Comunicação.
Naquela
semana de março, algo acontecia no mundo, algo acontecia pra mim como cristã,
era semana santa. Para aqueles que acreditam, é uma semana dedicada à reflexão
e ao desejo de ser uma pessoa melhor.
Voltando
a falar especificamente daquela quinta, acordei às 4 da manhã, mas vi que
estava muito cedo, fui ao banheiro, bebi uma água e dormi novamente. Levantei 1
hora e 30 minutos depois, conversei com meu cachorro, enchi o pote de ração e
lavei o quintal; estava um pouco nervosa, mas tranqüila.
Comecei
a me arrumar pensando no que poderia perguntar à Gonzaga Rodrigues, um homem
tão esperto e cheio de histórias para contar, tanta coisa ele devia ter para me
ensinar...
Às
06:38 da manhã fui para o ponto de ônibus, pois 1 hora depois, deveria
encontrar-me com o resto do meu grupo. Esperei o ônibus por algum tempo, Igor
(meu namorado) estava no A101, resolvi esperar para ir com ele.
Estava
tudo tranqüilo, tudo favorável. Sentamos em frente ao banco Itaú (sem
propaganda, apenas detalhando. - risos) e conversamos sobre política, amigos,
trabalho e futuro.
Rebeca
chegou (minha parceira de estudo e delicada e loira carona daquele dia) e nos
dirigimos ao escritório do pai dela, ele que organizara todo nosso encontro com
o Gonzaga. Enquanto esperávamos algum sinal do jornalista, batemos um papo
bacana, bom homem.
Marisa,
Rebeca e eu, sentamos ao redor de uma mesa redonda e “passamos o texto”, era
nossa primeira grande entrevista.
Enquanto
trocávamos algumas informações sobre o entrevistado, o pai de Rebeca chegou com
uma cara não muito boa e como já imaginávamos, ele não tinha uma boa notícia.
Ele muito educado pediu desculpas, o jornalista não poderia vir ao nosso
encontro, teve que resolver algo ligado à capa do seu novo lançamento, nosso
encontro foi remarcado.
Ainda
era muito cedo, não passava das 9 da manhã, não queria voltar pra casa (deveria
ter voltado), então fiquei conversando mais um pouco com as meninas e depois
fui dar um alô para Igor no trabalho (tão lindo, estava no terceiro dia do seu
primeiro emprego).
Como
estava pra ganhar um dinheirinho extra, comprei um colar que já estava
desejando há algum tempo e, logo em seguida, fui para o ponto de ônibus da
Lagoa e corri para não perder o 5100.
No
caminho de volta para casa, pensei nas inúmeras coisas que tinha para fazer,
entre elas: lavar roupa. Vida difícil essa de estudante e dona de casa, eu
havia pensado em pôr as roupas na máquina de lavar antes de sair de casa, mas
um detalhe impediu meus planos, não havia mais sabão em pó.
Alguns
lugares perto da minha casa vendem sabão em pó, então isso não seria um
problema. Pedi parada pensando em ir ao mercado comprar o bendito sabão, mas
algo aconteceu, o motorista não abriu a porta, então eu pensei: “Será que devo
descer na próxima parada e comprar o sabão no outro mercado?”, pensei em vão. O
moço atrás de mim gritou loucamente “VAI DESCER, MOTORISTA!”, desci.
Atravessei
a praça e caminhei tranquilamente até o mercado, cheguei lá e comprei o bendito
sabão em pó, uma lata de refrigerante de limão e dois pacotinhos de M&M. Estava
realizada, apesar da entrevista não ter acontecido, agora eu poderia lavar
minhas roupas, beber refrigerante, comer chocolate e admirar meu novo colar.
Eu
moro bem perto do mercado, basta atravessar a principal, andar um pouco e virar
a esquerda na rua da Academia Malhação, depois de descer alguns metros, pronto,
lar doce lar!
Atravessei
tranqüila, não falei aqui, mas eu estava toda trabalhada na elegância [risos],
de camisa social, calça cintura alta e bolsinha de lado, parecia até uma pessoa
com um emprego fixo e um bom salário.
Entrei
na minha rua, ou seja, já me senti em casa, estava na minha zona de conforto. A
rua estava vazia, mas tinha uma explicação, era quinta-feira santa, início de
feriadão.
Enquanto
caminhava, pensava no que iria fazer assim que chegasse em casa, precisava
ligar pra minha mãe que estava no interior, falar que estava tudo bem e
repassar as novidades.
Estava
3 casas distante da minha, resolvi me aproximar da calçada, gosto de andar bem
no meio de minha rua. Ouvi um ruído atrás de mim, mas estava tão ansiosa para
chegar em casa que nem ao menos olhei para trás. Burrice. Deveria ter olhado.
Quando
estava muito perto da minha casa, o inesperado aconteceu, ouvi uma moto se
aproximando, e naquele momento já havia entendido tudo.
Gelei,
travei e na calçada alta encostei.
Olhei
de mansinho para a moto preta parada ao meu lado, fui levantando o olhar
lentamente enquanto ouvia uma voz com muita raiva dizer: “Ligeiro, ligeiro,
passa o celular!”, eu estava muito nervosa e sem saber o que fazer, então fiz
algo que me arrependo profundamente, eu olhei nos olhos dele.
Eu
estava ali, em choque, parada ao lado de um desconhecido, em plena quinta-feira
santa, onde eu apenas queria chegar em casa, lavar roupa e ligar para minha
mãe.
Ele
gritou mais uma vez: “É LIGEIRO, estou falando sério, passe o celular!”, e
olhando nos olhos dele, eu pedi calma. Pedido inútil, ele queria sair dali o
mais rápido possível, levando consigo muito mais do que meu celular.
Meu
celular estava no bolso da bolsa, abri o zíper lentamente enquanto olhava para todos
os lados na procura de alguém que pudesse me ajudar e renovar as minhas
esperanças de fugir da presença daquele homem.
Ele
não parava de pedir que eu me apressasse, foi quando colocou a mão na cintura,
novamente olhei nos olhos dele e vi toda ruindade do mundo. Tive que ter
pressa, tive que entregar o celular, ele não tinha pena de mim, mas eu estava
morrendo de medo dele.
Ele
se foi, levou meu celular, e eu fiquei ali parada, no lugar do ocorrido, não
conseguia me mexer, não acreditava no que tinha acontecido, não era aquilo que
eu tinha planejado pra aquela manhã, nada daquilo.
Então
pensei: Eu deveria ter voltado mais cedo, não devia ter comprado o colar, não
devia ter descido do ônibus, eu devia ter ido em outro mercado, eu não devia
ter entregue o celular... Então parei novamente e recomecei meu pensamento, a
culpa do que aconteceu não era minha, independente da situação, ele não tinha o
direito de roubar nada de mim.
E no
meio de todos os pensamentos, me dei conta de que ainda estava parada ali. Foi
quando finalmente olhei para trás e vi o maior tumulto acontecendo em frente à
academia do início da rua, eu não fui a única, ele tinha tentando assaltar mais
alguém, mas foi nos gritos no meio da rua que eu soube que ao contrário de mim,
a moça não entregou o celular.
Meus
vizinhos foram surgindo um a um, todos querendo saber o que aconteceu e
procurando motivos para justificar, “é a crise”, diziam eles.
Depois
de contar a história várias vezes, entrei em casa, no meio de uma crise de
ansiedade, chorava sem parar e batia em algumas paredes, que ódio eu sentia, os
olhos dele estavam me perseguindo, toda aquela maldade parecia ter sido passada
para mim naquelas malditas trocas de olhares.
Peguei
o telefone residencial, liguei para Igor, não atendeu, estava trabalhando.
Liguei para o meu pai, para polícia, para minha mãe, minha vó, e por último,
postei uma breve mensagem de indignação no facebook.
Os
30 segundos que passei na companhia daquele homem não saiam da minha mente
ainda não saíram. Ando pelas ruas com a sensação de que irei encontrá-lo a
qualquer momento, que mais uma vez verei aquele olhar.
Deus
me livre!
Me
livre daquele homem, daquela situação, daquela sensação, daquele barulho de
moto se aproximando, daquelas pessoas ao meu redor procurando explicar o que eu
não quero ouvir, daquela ligação para o 190 para contar os detalhes do
ocorrido, daquela garapa que eu nem tive forças pra fazer... Deus me livre de
não poder fazer nada enquanto vejo um desconhecido chegar e brincar com tudo em
mim.
João
Pessoa, março de 2016.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Modernidade líquida
Admirável
chip novo x Modernidade líquida
Em pleno século XXI, tempo
em que vivemos uma modernidade líquida, as pessoas ainda são manipuladas e
fazem isso com toda felicidade que caiba dentro e fora de si, se sentindo bem
com “suas próprias escolhas”. O fato é que ninguém neste mundo é livre da
interferência do pensamento de outros, onde outros podem ser desde uma pequena
criança até uma instituição religiosa. Somos seres humanos e não conseguimos
viver no mundo onde estamos, mantendo contato constante com outros seres, sem
que os mesmos nos acrescentem ou nos tirem algo, o nosso “eu” atual é consequência de todos os “eu”, “tu” e “eles” que por aqui passaram. Contudo, temos que admitir que muitos
argumentos que formam o nosso ponto de vista são sim conclusões nossas, mas sem
esquecer que a todo o momento somos bombardeados sem que percebamos por ideias
de superiores ou de pessoas que querem que a sua verdade seja tida como “A
verdade”.
Na primeira estrofe da
música admirável chip novo da cantora Pitty, começamos a perceber que ela está
preparando uma forte crítica em forma de canção. O fato de ser vista como um robô
nos traz a mente várias características do mesmo que incorporadas ao ser humano
fariam dele um simples ser programado, apenas mais um para cumprir seu papel na
sociedade da maneira que alguém superior a ele ordene e deseje, como um mero
fantoche nas mãos de gigantes.
Para encerrar a primeira
estrofe da música ela lança a frase “Eu sempre achei que era vivo”, afinal
somos ou não vivos? Na estrofe seguinte encontramos a continuação dessa
reflexão: “Parafuso e fluido em lugar de articulação, até achava que aqui batia um
coração.”. Alguns adjetivos estão entrelaçados ao fato de ser ou estar vivo,
tais como: esperto, ágil, forte e distinto; será que em uma sociedade onde tudo
e todos são programados para agir como uma minoria determina somos
verdadeiramente vivos?
Mesmo quando acreditamos
estar libertos, continuamos sendo manipulados e alienados. A busca da
realização de um desejo, uma fantasia a ser vivida ou comprada, serve para
mascarar ou tirar o nosso foco desse mundo atual em que a individualidade toma
conta de cada ser humano que parece não mais se preocupar com o bem estar do
outro a menos que seja recompensado de alguma forma, recompensa essa que pode
variar de um simples ou não tão simples status a puro capital, ah, por falar em
capital, o que seria da sociedade que vivemos hoje sem ele? Afinal o que move
essa modernidade líquida?
Em reposta a pergunta
anterior, o que move essa modernidade é a busca pela individualidade, o desejo
de ser e fazer o que quiser, sem precisar cumprir ideias impostas por um
sistema que na realidade não lhe representa.
A modernidade líquida não
combina com uma sociedade em que todos estão programados para agir e pensar
igualmente, é preciso livrar-se dos olhos de robô e dos parafusos, é hora de
pensar, ler, compreender, tirar conclusões sobre... Somos seres humanos, temos
essa capacidade.
Em tempos de uma modernidade
sólida, onde tudo parece mais firme, difícil de ser mudado e ao mesmo tempo
mais fácil de ser controlado, a frase estampada na nossa amada bandeira
brasileira faria mais sentido, a ordem e o progresso seriam pontos altos da
modernidade sólida, mas na modernidade líquida, a ordem e o progresso parecem
não estar tão próximas do Brasil de 2015.
“Não, senhor, sim, senhor”,
parece que nesse mundo alguém ainda é superior.
sábado, 4 de abril de 2015
Acabo de ver uma notícia que chamou profundamente minha atenção, me lembrei de algo que o padre da minha paróquia falou ontem na Missa da Paixão do Senhor, não me lembro das palavras exatas, mas o que ficou martelando na minha cabeça foi que em um tempo em que tantas pessoas estão sendo mortas injustamente, estão passando fome, pais e mães de família que não conseguem arrumar um emprego, milhares de pessoas sendo vítimas das mais diversas formas de preconceito, os meios de comunicação e a sociedade (com exceções, claro) só estão preocupadas com o velório de alguém influente (com todo respeito aos amigos e familiares), com os ovos de chocolate e com a maneira como servirão seu tradicional peixe da Semana Santa. Porém, ao vivermos esse momento sublime em que deveríamos relembrar a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, suponho que a nossa preocupação maior não deveria ser o tempero do peixe, ainda acrescento, todos os dias deveríamos voltar o nosso olhar e oferecer ajuda aqueles que sofrem, devemos nos espelhar mais na figura do Cristo e fazer ao menos um pouco do que Ele nos pediu e continua pedindo, afinal, onde está o nosso amor ao próximo?
domingo, 15 de março de 2015
Assinar:
Comentários (Atom)
