Diariamente,
milhares de pessoas caminham pelas ruas do centro de João Pessoa, algumas
apenas de passagem, enquanto outras escolheram ali fazer morada. Aliás, essa
questão é meio incerta, é difícil saber se elas escolheram o centro ou se o
centro as escolheu.
O
Centro é o tipo de bairro que reúne comércio, área verde, praças, shoppings e
inúmeras histórias para contar. A propósito, se deseja conhecer algumas dessas
histórias, basta caminhar um pouco e sentar-se em um dos bancos do Ponto de Cem
Réis, bancos que, por sinal, acolhem durante a noite aqueles que o destino não
acolheu, se desejar, lhes deseje um bom dia e fique por ali mesmo a conversar.
Ainda
caminhando pelo Ponto de Cem Réis, posso olhar ao meu redor e ver vestígios de
uma crise, não sei se financeira ou emocional, o silêncio das lojas fechadas se
mistura ao barulho das grandes cidades, e acaba passando despercebido.
Um
pouco mais perto do novo Parque da Lagoa, vejo jovens ainda com jeito de
aprendiz, esforçando-se em seu primeiro emprego, um pouco receosos de que o
silêncio que atingiu outros empreendimentos chegue ao seu local de
trabalho.
Alguns
senhores e senhoras gostam de passar suas tardes no centro, relembrando os
tempos que se passaram, alimentando os pombos, conversando com amigos ou
simplesmente observando o tempo passar. Nos fins de tarde, eles visitam as
antigas igrejas para fazer suas preces, espero que em suas or[ações] lembrem
daqueles que estavam em seu caminho, dos que estavam dormindo nos bancos do
Ponto de Cem Réis, dos que lhe pediram um pedaço de pão e, principalmente,
daqueles que tanto precisam de atenção.
O
Centro é isso, é correria, riqueza, pobreza, histórias, gente, sonhos... Para
alguns passagem, para outros morada, para a cidade é coração.