Admirável
chip novo x Modernidade líquida
Em pleno século XXI, tempo
em que vivemos uma modernidade líquida, as pessoas ainda são manipuladas e
fazem isso com toda felicidade que caiba dentro e fora de si, se sentindo bem
com “suas próprias escolhas”. O fato é que ninguém neste mundo é livre da
interferência do pensamento de outros, onde outros podem ser desde uma pequena
criança até uma instituição religiosa. Somos seres humanos e não conseguimos
viver no mundo onde estamos, mantendo contato constante com outros seres, sem
que os mesmos nos acrescentem ou nos tirem algo, o nosso “eu” atual é consequência de todos os “eu”, “tu” e “eles” que por aqui passaram. Contudo, temos que admitir que muitos
argumentos que formam o nosso ponto de vista são sim conclusões nossas, mas sem
esquecer que a todo o momento somos bombardeados sem que percebamos por ideias
de superiores ou de pessoas que querem que a sua verdade seja tida como “A
verdade”.
Na primeira estrofe da
música admirável chip novo da cantora Pitty, começamos a perceber que ela está
preparando uma forte crítica em forma de canção. O fato de ser vista como um robô
nos traz a mente várias características do mesmo que incorporadas ao ser humano
fariam dele um simples ser programado, apenas mais um para cumprir seu papel na
sociedade da maneira que alguém superior a ele ordene e deseje, como um mero
fantoche nas mãos de gigantes.
Para encerrar a primeira
estrofe da música ela lança a frase “Eu sempre achei que era vivo”, afinal
somos ou não vivos? Na estrofe seguinte encontramos a continuação dessa
reflexão: “Parafuso e fluido em lugar de articulação, até achava que aqui batia um
coração.”. Alguns adjetivos estão entrelaçados ao fato de ser ou estar vivo,
tais como: esperto, ágil, forte e distinto; será que em uma sociedade onde tudo
e todos são programados para agir como uma minoria determina somos
verdadeiramente vivos?
Mesmo quando acreditamos
estar libertos, continuamos sendo manipulados e alienados. A busca da
realização de um desejo, uma fantasia a ser vivida ou comprada, serve para
mascarar ou tirar o nosso foco desse mundo atual em que a individualidade toma
conta de cada ser humano que parece não mais se preocupar com o bem estar do
outro a menos que seja recompensado de alguma forma, recompensa essa que pode
variar de um simples ou não tão simples status a puro capital, ah, por falar em
capital, o que seria da sociedade que vivemos hoje sem ele? Afinal o que move
essa modernidade líquida?
Em reposta a pergunta
anterior, o que move essa modernidade é a busca pela individualidade, o desejo
de ser e fazer o que quiser, sem precisar cumprir ideias impostas por um
sistema que na realidade não lhe representa.
A modernidade líquida não
combina com uma sociedade em que todos estão programados para agir e pensar
igualmente, é preciso livrar-se dos olhos de robô e dos parafusos, é hora de
pensar, ler, compreender, tirar conclusões sobre... Somos seres humanos, temos
essa capacidade.
Em tempos de uma modernidade
sólida, onde tudo parece mais firme, difícil de ser mudado e ao mesmo tempo
mais fácil de ser controlado, a frase estampada na nossa amada bandeira
brasileira faria mais sentido, a ordem e o progresso seriam pontos altos da
modernidade sólida, mas na modernidade líquida, a ordem e o progresso parecem
não estar tão próximas do Brasil de 2015.
“Não, senhor, sim, senhor”,
parece que nesse mundo alguém ainda é superior.